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from the August 2013 issue

Feito Ishmael em Moby Dick

Feito Ishmael em Moby Dick,
sempre que sinto na boca uma

amargura crescente, sempre
que há em minha alma um

novembro úmido e chuvoso
é tempo de fazer-me ao mar.

E munido de quase nada, só
da palavra que é puro sopro,

através dela inflo a vela e parto
em dois o ar e a água que levam

a asa da alma e o casco do corpo
ao encontro do belo monstro

que acena do horizonte com seu
olhar verde e vivo: o Desconhecido,

o sempre bem vindo irmão-
gêmeo da criação, ladrão do fogo

lançando envolto em nuvens
pelas frestas dos aposentos

o seguinte clarão: toda a água

em volta da casa já está estagnada,

pasto para hordas de mosquitos.
E, ouvindo isto, feito Ishmael

parto em dois o mar—poema
sempre a um passo do abismo

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