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from the July 2016 issue

Arrecife

Desse  ponto  
partem  distâncias  imaginárias  
que  contam    
das  reais  distâncias  entre  nós.
Um  homem  posto  
à  frente  de  uma  janela  
é  o  fantasma  de  si  mesmo  
suspenso  por  linhas
e  cores  improváveis.
Somos  ele
e  ele  é  todos  nós  
como  se  não  fôssemos
(ainda)  
a  cidade  
em  seu  entorno.
Somos  ele  
e  seus  ombros  caídos.
Somos  ele  
e  seu  rosto  roído  pelos  peixes.
Somos  ele  
e  as  ruas  estreitas  
que  o  cortam  
e  que  nele  se  impalam  
como  postes  
travas  
e  outras  saudades  sem  sentido
(como  qualquer  outra  saudade).
Uma  estátua  
observa  
a  constelação  das  águas.
Sua  roupa  cinza  
se  agita  
e  veste  por  um  instante  
a  pele  nua  do  rio.
O  homem  se  agita  e  com  ele  
a  cidade  costurada  
em  nossas  carnes.  
Tudo  cabe  num  selo  
ou  num  trago  de  cigarro.
Tudo  cabe  no  verde  
mais  próximo  do  branco.  
Tudo  brada:  
relógio  ensadecido.
Somos  o  real  
e  nada  somos.
E  isso  é  tudo.  

                                                                             

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